Glória e Honra. Será ?

"Vamos usar aquilo"

Um círculo foi formado por nós, juntando todos os metamorfos. Depois, cada um de nós pegou um artefato que aquele ser nos deu e falamos algumas palavras daquela língua que eu não tinha noção do que significava. Mas eu sabia como invocar aquilo.

À nossa frente foi formado um grande círculo de fogo, não um fogo vermelho ou amarelo, mas um fogo azul e demoníaco, que assustaria qualquer um. Admito que fiquei com medo, assim como todo meu grupo.

Assustamo-nos com o que vimos: Os metamorfos "físicos", ou seja, os que usavam a força física como modo de luta queimaram até a morte, dando um grito em coro e em total desespero com tamanha dor que sentiam. Seus cadáveres caíram diante de nossos pés. Com os metamorfos "mentaisdeu-nos mais medo: Seus olhos e bocas brilharam em azul, explodindo seus olhos e fazendo com que fogo saísse de sua boca.

Virei-me para os membros do meu grupo e, com um sorriso, disse:

- Vitória

Gritamos àquela noite. E festejamos.

Mas aquela festa durou pouco, encerrando-se quando o demônio surgiu do nosso lado.

- O que quer aqui, maldito ? - Arthur disse, sem medo
- O que quero ? O que acha, idiota ? Fizemos um pacto ! Tenho um trabalho pra vocês.
- E o que te faz pensar que cumpriremos a nossa parte do acordo ? - Eu disse, esperando por uma desistência da parte dele
- Isso

Assumiu sua forma horrenda para nós, pela segunda vez. Suas presas e garras mostravam sua força e suas asas, sua imponência. Seus grandes olhos vermelhos e seu corpo grotesco mostravam seu real poder.

- Pensam que o poder que os dei é suficiente para me derrotar ?
- Não sabemos, mas tentaremos ! NUNCA SEREMOS SEUS SUBORDINADOS !
- Então, venham !


Continua 

Como ?

"Eu aceito"
"Certo. Agora, para selármos o pacto, toque minha mão e diga as seguintes palavras."

Eu não entendi palavra alguma. Ele falava algum tipo de lingua que eu, nem ninguém do grupo, pôde desvendar. Apenas repeti.

Quando terminado, vi-me envolto por uma luz, não uma luz branca ou dourada, uma luz vermelha, quase preta, que tomou todo meu corpo e me fez gritar de dor. Senti meus olhos e boca sendo invadidas por algo que não consigo descrever, algo que me fez sentir mais forte, mais potente, algo que me fez sentir invencível. Agora estávamos prontos.

12:30 AM. Cemitério. Sabíamos que era ali que viriam, era de seu hábito. Esperávamos não como antes, com medo e como se fosse nosso último dia, mas com prepotência e convicção que, não só saíriamos dali com vida, como destruiríamos todo o grupo de metamorfos.

Avistamos o grupo ao longe. Vinham sem nenhuma noção de que seriam massacrados ali e agora, vinham com tamanha certeza, que passariam por cima de nós, que me surpreendia. Coitados.

Não esperamos. Corremos ao seu encontro, como se aquilo fosse nossa última luta, fomos sem pensar, acreditando que venceríamos no primeiro golpe.

Como dito antes, o grupo tinha seis vampiros. Alexandro, o Toreador, Felipe e Gabriel, os Brujah, Mike, o Malkaviano, Arthur, o Gangrel, e Eu, Thiago, o Ventrue.

Arthur foi o primeiro a atacar. Vi se transformando e atacando cruelmento um dos metamorfos, em uma forma horrenda. Felipe e Gabriel usaram de artimanhas para agarrar o outro metamorfo e socá-lo pela prente. Alexandro e Mike pareciam apenas assistir a luta, mas os outros dois metamorfos olhavam para eles, mas permaneciam parados, concentrados neles, mas sem se mover.

Preciso dizer que o líder sobrou para mim ?

Não sei como, mas usei de Rapidez, que não se parecia rapidez, pois senti uma energia mais maléfica em mim do que a minha própria energia, e com Dominação, que obviamente estava amplificada pelo poder demoníaco que recebi anteriormente, o líder ficou imóvel e apenas me encarava, mas com um olhar vazio e sem a determinação de antes.

Como um impulso, encostei a palma de minha mão em sua testa e falei palavras que antes não entendia, mas que agora falava fluentemente. Que lingua era aquela ? Vi apenas o metamorfo abrir a boca e os olhos e urrando de dor, com uma luz vermelha e negra, como a que me cobriu à algumas horas atras, saindo de seus olhos e boca. Como eu podia fazer aquilo ?

Mas aquilo não o tinha matado. Ele fechou os olhos e boca e, primeiro, suas unhas e dentes cresceram. Assim como todos do grupo. Pêlos cresceram em todo seu corpo e seu nariz cresceu, se tornando um focinho. Tinha, agora, uma forma que se parecia um lobo, mas com duas pernas e braços enormes, capazes de levantar um carro.

Um urro em coro saiu de suas bocas. Assumo que na hora fique com medo, mas lembrei-me do poder que ganhei e disse ao grupo:

"Vamos usar aquilo"


Continua

O confronto

Será que essa vida eterna vale mesmo a pena ? Arrependo-me de ter feito aquele trato.

Não gostava muito da idéia de matar pessoas para sobreviver. Sempre pegava várias vítimas, para não ter que "sugar" a vítima toda. Mas, confesso, nunca tive dificuldade de caçar, e nunca tive medo de ir às ruas à noite.

Mas aquela noite era diferente. O medo estava estanpado em meu rosto. Um grupo de metamorfos havia chegado na cidade, e eu não estava preparado para isso. Nem eu, nem meu grupo.

O que queriam ali ? Por que essa cidade ?

Não sabia o que faríamos depois, pois não sabíamos nada de metamorfos. Éramos pobres vampiros que tinham pouca informação de sua própria existência. Não sabíamos nem dos nossos poderes, como conheceríamos aquele tipo de ser que era apenas contado em estórias para nós ?

Não tínhamos escolha, tivemos que contactar "ele". Quem é "ele" ? Nem queira saber. Um ser tão repugnante que daria nojo à qualquer Nosferatu.

Sim, era um ser repugnante. Mas usava uma carcaça. Talvez um pobre humano que não tinha nada a ver com aquilo, mas que não teve escolha. Vimos sua forma verdadeira apenas uma vez, mas sempre que aparece para nós ele vem com um corpo diferente.

O que tínhamos com ele ? Apenas contato. Dáva-nos dicas de como sobreviver nesse mundo cruel e sombrio, que dava medo até em nós, seres das trevas.

O grupo todo estava à sua espera. Não éramos um grupo grande, admito, com apenas seis vampiros, inclusive eu. Tínhamos todos uma aparência aceitável, com exceção do Gangrel do grupo. Todos usávamos calças jeans e camisas sociais.

Sim. Víamos sua figura ao longe, desta vez com um corpo de quarenta anos, cabelos grisalhos e terno. Levava consigo uma maleta e tinha no rosto um óculos escuro, para proteção.

Aproximou-se do grupo e murmurou "Quero falar com o líder"

Fui, então, até ele e contei o que estava acontecendo

"Entendo. Darei, então, poder e glória à vocês, em troca de sua total obediência. O que acham ?"

Não tínhamos escolha. Apenas nos olhamos por alguns segundos, esperando que alguém achasse outro meio de sobreviver àquele confronto. Como ninguém se manifestou, disse as duas palavras que mais amaldiçoou em toda a minha eternidade:

"Eu aceito"


Continua

Sobre esse Blog

Aqui será postada a estória de um grupo de vampiros que, para sobreviver, fazem aliança com um Demônio.

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